Uma adaptação dramatúrgica do texto de Mia Couto “MAR ME QUER” numa encenação em que os protagonistas Luarmina e Zeca num exercício entre a oralidade, bem à maneira africana, e a interpretação actoral, vão reviver factos e vidas dos seus antepassados, trazendo à memória e convocando os seus sonhos, numa viagem pelas águas do Fantástico Literário Miacoutiano.
“Lançamos o barco, sonhamos a viagem: quem viaja é sempre o mar”
Luarmina e Zeca Perpétuo, vivem junto ao mar… Zeca, reformado das pescas sonha “simetricar” se “combinar” com a gorda mulata.
- Somos tão vizinhos Dona, faz conta somos verbo e sujeito…
Luarmina vai aprendendo mil defesas para as insistências namoradeiras de Zeca…
- Me larga Zeca, não vê que eu já não desengomo o lençol… o que eu quero mesmo é que me conte as suas memórias, me fale do seu passado, quero as coisas que foram e como foram. Essas que nos deixam saudade. E Zeca vai desfiando as suas memórias, convoca o seu avô Celestiano e os seus provérbios da ancestral nação Macúa.
Fala das memórias de infância e de seu pai Alberto Salvo-Erro, conta a história de Maria Bailarinha. “Essa ajunta brasas” e desvenda o seu segredo ao falar do grito da gaivota…
- Me persegue essa aguda piação, me rasga as cicatrizes de uma ferida que nunca senti.
Diz o avô Celestiano:
- Quando não somos nós a inventar o sonho, é ele que nos inventa a nós.