“Estas gaivotas estavam lá em cima, uma delas estava lá em cima sozinha. Não queria as outras. Elas vieram, ela bateu as asas e espantou-as. Deixou-a uma delas estar lá em cima um minuto.”
David Mamet, The Woods
O Bosque é uma parábola sobre a solidão e a comunicação. Dois jovens, Nick e Ruth, encontram-se numa casa no meio de um bosque. Lá, no meio da natureza, sós, procuram partilhar memórias (boas e más), confidências, carinhos, e criar laços que perdurem até à eternidade: procuram o amor. É um luta constante, pois as suas vidas, o peso das suas vidas, impedem-nos de encontrar aquilo que procuram. A frustração impera transformando-se depois em violência verbal e física. A procura, o prazer, o romance transforma-se em desespero pois Nick perdeu a vontade de viver, de sentir, não tem quaisquer esperanças. É um homem que desistiu, sem saber qual a razão que o levou a isso. Ruth, por outro lado, sente a vertigem, prevê que o abismo está próximo, mas não desiste, luta, enfim só.
“Eu sento-me aqui. Espera. Eu sento-me aqui. Fica escuro.
Não consigo ler. Eu preciso que tu estejas aqui.
(Pausa.)
Preciso de tempo. Estás a ouvir-me? Eu preciso de tempo. Lá em baixo na Cidade é tudo vicioso. Eu preciso de tempo para estar aqui.
(Pausa.)
Tudo é imundo lá em baixo. Tu sabes isso. Eu venho para cá, vejo coisas.
(Pausa.)
Não consigo dormir. Tenho estes sonhos à noite. Eu sonho. Não,
espera. Eu conto-te.”
David Mamet, The Woods
Por fim, com muito esforço, reencontram-se por necessidade mútua, mas inevitavelmente, a cidade lá em baixo espera-os, para os engolir novamente quebrando tudo aquilo que tentaram construir no bosque. - Luís Mestre