"Há apenas dois meses que morreu" o rei Hamlet, pai de Maclet. Mas a raínha sua viúva casou "antes mesmo que o sal das lágrimas secasse nos seus olhos".
Maclet vê a imagem do seu falecido pai… "desprezando a fortuna, espada ainda a fumegar da sanguinolenta carnificina, filho amado da vitória talhando passagem através das fileiras".
Vê? Onde? "Onde? Nos olhos do" seu "espírito". Revolta, dúvida, censura, azedume. Seu tio agora rei "passa a noite a beber, em plena orgia, por entre meneios de danças impúdicas e taças de vinho do Reno". Insinua-se a suspeita. Na forma, primeiro, de simples impressão: "Há algo de podre no reino da Dinamarca"; depois, como denúncia provinda (do sonho, do delírio, da morte) do espetro de seu pai: – "Dormia eu no meu jardim. Aproximou-se furtivamente com um frasco de cicuta e lançou nos pórticos do meu ouvido o leproso licor". Devastadora suspeita. Morto seu pai por seu tio recém-casado com sua mãe?
"Mulher infame! Vilã! Vilã sorridente e danada!"
Duvida: "O Diabo falou a verdade?" E Ofélia sofre. "Que tens, Ofélia? Que te aconteceu?"