45ª Edição

Fazer a Festa - Festival Internacional de Teatro para a Infância e Juventude

1 a 5 de Julho 2026 - Quinta da Caverneira e Fórum da Maia

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VENHAM TODOS OS AMIGOS!

 

“Que a luz e o Sol nos dêem iguais jornadas, sem que as rosas do amor fiquem fanadas” (in Hamlet de Shakespeare).


De 1 a 5 de Julho de 2026, damos as boas vindas à Festa. Boas vindas ao Fazer A Festa! Boas vindas à Quinta da Caverneira. Boas vindas à Maia.

Assim como quem não deu conta, chegámos à 45ª edição do festival.

Quando foi a última vez que falámos do amor? E quantas vezes enaltecemos actos de guerra ao mesmo tempo que nos envergonha dizer amor sem tartamudear?

É possível que já não nos lembremos das rosas fanadas ao espaço comum onde ainda tivéssemos a possibilidade de desfrutar a alegria simples de nos olharmos de frente e mimosear o prazer de umas boas horas de camaradagem, libertos do fardo dos afazeres mesquinhos que nos atravessam a vida. É possível que tenhamos invertido os pólos ao mecanismo das utopias herdadas de mulheres, homens e crianças que nos ensinaram dos sonhos o comando da vida. É possível que os sonhos se atrasam, quando não se adiam, porque o tempo já nada pergunta ao tempo, já que tempo simplesmente deixou de haver. É mesmo possível que nada seja impossível e que só andamos um pouco distraídos, doloridos, amestrados em demasia para realizarmos a amplitude de todas as possibilidades esquecidas, guardadas no baú do medo ou das esperanças vãs. Só não deveria ser possível o conformismo, a desistência, ou pior ainda, o horror. Nós, no Fazer A Festa, não o aceitamos sem dele escarnecer, sem o espírito de contrariedade que nos define o carácter quando se trata de parti-lo aos bocados e soprá-lo para as lonjuras do demo.

Aqui, onde a festa se faz, o sonho é fermento, é bola colorida em mãos de tantas crianças. Aqui não se aprendeu da desistência palavras que a ordenam. Aqui, procura-se a mão pequenina que aprende cedo a sementeira, a graúda que lhe há-de fazer a rega, o espanto que verá nascer a flor que não poderá ser fanada por dá cá aquela palha, muito menos por falta de cuidados.

Ouve-se dizer, amiúde, que somos resistentes; mas, se resistimos, não será por defeito, senão por imperativos de feitio; e nos alegramos disso mesmo. Insistimos na fábrica dos sonhos, mesmo se aquilo que vemos é a matéria da realidade galgando o território da ficção; uma certa realidade, no entanto, que não nos parece merecedora de sentidos aplausos, encenada por mãos carentes de quaisquer rasgos de humana genialidade. Insistimos não somente pela carruagem de uma história já bem rodada, pelo sapatinho encantado que nos cabe certeiro no pé, pela lâmpada generosa que nos vai concedendo, ainda assim, alguns desejos, nem pelas graças que despertam as memórias de tantas pessoas quando ouvem a Festa do nosso nome, tampouco pelos méritos concedidos e gravados em ferro de medalha, mas pela aluvião de gente vimos trazendo estrada afora a qual se vêm juntando muito mais. Mas, sobretudo, porque é sempre certo o momento; mais ainda o agora, que assim no-lo exige.

Anda brincar e reflectir mais nós, com os espectáculos dos amigos galegos da Companhia Ártika, da amiga luso-francesa Anne-Marie, dos amigos do Teatro das Beiras, dos amigos da Krisálida, da amiga Ana Madureira, dos amigos do Projecto Ruínas, dos amigos do Teatromosca, dos amigos do Cabeças No Ar Pés Na Terra, com a bela exposição do amigo Carlos Adolfo, a quem prestamos homenagem na presente edição, escrever teatro na Oficina De Dramaturgia com a amiga Andreia Macedo, ouvir histórias com o amigo Vítor Fernandes, participar do lançamento do livro A Princesa Dos Pés Pretos – Obra Completa De Teatro Para A Infância, do amigo José Vaz, na leitura do texto premiado do IV Concurso De Dramaturgia Para A Infância e Juventude, no debate A Música No Teatro Para A Infância E Juventude, e na sessão crítica da programação do festival, com o amigo Fernando Moreira e a amiga Anabela Nóbrega. Venham cantar os parabéns à Festa que completa 44 primaveras em 45 edições e bailar até poder depois com o enorme músico e amigo brasileiro Galdino Gal, para um encerramento à medida do nosso contentamento.

Para se Fazer A Festa, toda a gente é necessária. Venham todas as amizades e tragam outros amigos também.

 

Um bom Festival!   


Programação

27 de Junho a 1 de Julho

Auditório da Quinta da Caverneira

Retour sur la ligne de départ (Residência Artística)

com Anne-Marie da Les Arrosoirs Compagnie (França)

Anne-Marie Marques, filha de exilados portugueses, empreendeu várias viagens a Portugal. Parte à procura de vestígios, entre herança e distância. A convite do Teatro Art’Imagem, apresenta uma performance entre línguas, corpos, imagens ao vivo e sons. O palco torna-se um espaço de investigação e ressonância. Em fragmentos, as paisagens recompõem-se, as vozes sobrepõem-se. A língua portuguesa surge ao mesmo tempo como um vínculo e uma falha — uma língua desejada, por vezes inacessível, que evidencia as distâncias e a perda. Uma viagem íntima que interroga as heranças invisíveis do exílio. 


Direção, encenação, textos e imagens fílmicas Anne-Marie Marques Com Anne-Marie Marques e participação de Flávio Hamilton e José Leitão Produção Les arrosoirs (compagnie) Apoio à residência Teatro Art’Imagem / Culture commune scène nationale du Pas-de-Calais du bassin minier - France

1 de Julho - 19h00

Grande Auditório do Fórum da Maia

Auto da Barca de Bosh 

Cabeças no Ar e Pés na Terra (Ermesinde)

M/12 I 60m I Entrada Gratuita

Auto da Barca de Bosch propõe uma interseção estética e conceptual entre o teatro Vicentino e a iconografia visionária de Hieronymus Bosch. O projeto explora a dialética entre palavra e imagem, criando um espaço cénico onde a sátira moral de Gil Vicente dialoga com a densidade simbólica das paisagens oníricas de Bosch. Esta convergência revela a persistência de inquietações metafísicas e éticas, transpondo-as para uma linguagem contemporânea. Esta montagem propõe uma experiência visual e sensorial única, mantendo a sátira e a crítica social presentes na obra original.


Texto Gil Vicente Encenação e Espaço Cénico Hugo Sousa Interpretação Ana Rita Pinto, Bruno Martelo, Jorge Neto e Miguel Lopes Adereços António Sousa Figurinos Andreia Macedo Execução de figurinos Cristina Gouveia, Assunção Rodrigues e Fernanda Pinto Coordenação de animação e vídeo mapping Diogo Ferreira Animação digital Matilde Ribeiro e Leonor Faria  Henriques Design gráfico André Santos Sonoplastia Carlos Adolfo Desenho de Luz Hugo Sousa Pintura de máscara Luís Nogueira Operação microfones Carlota Estrela Fotos de ensaio Miguel Tedim Produção Cabeças no Ar e Pés na Terra 

1 de Julho - 21h30

Auditório da Quinta da Caverneira

Retour sur la ligne de départ (apresentação da residência artística)

Les Arrosoirs Compagnie - (França)

M/14 I 50m I Entrada Gratuita

Uma performance entre línguas, corpos, imagens ao vivo e sons. O palco torna-se um espaço de investigação e ressonância. Em fragmentos, as paisagens recompõem-se, as vozes sobrepõem-se. A língua portuguesa surge ao mesmo tempo como um vínculo e uma falha — uma língua desejada, por vezes inacessível, que evidencia as distâncias e a perda. Uma viagem íntima que interroga as heranças invisíveis do exílio. 


Direção, encenação, textos e imagens fílmicas Anne-Marie Marques Com Anne-Marie Marques e participação de Flávio Hamilton e José Leitão Produção Les Arrosoirs (compagnie) Apoio à residência Teatro Art’Imagem / Culture commune scène nationale du Pas-de-Calais du bassin minier - France

2 de Julho - 17h30

Jardins da Quinta da Caverneira

Homenagem a Carlos Adolfo

30m I Entrada Livre

É com enorme alegria e estima que, nesta 45ª edição do Fazer a Festa, prestamos homenagem a Carlos Adolfo Lourenço Matias (CALM), companheiro de estrada, desde 1981, nas aventuras do Teatro Art’Imagem e deste mesmo festival. De facto, o percurso do Carlos é uma confluência destes dois rios, onde corre a mesma água, pelo que poderíamos dizer que se trata de uma homenagem “siamesa”.

Connosco, tem vindo a prestar contributos artísticos únicos na área da composição e execução musical. Mas não julguem que se trata de um criativo sentado na cadeira do seu estúdio ou da sala de ensaios. O Carlos Adolfo saltou connosco para o palco e integrou dezenas de espetáculos com música ao vivo, por terras nacionais e internacionais. Foi um saltimbanco que tanto pintou o rosto de branco como nos ajudou a atravessar cada barranco. Com ele, escrevemos (e continuamos a escrever!) uma longa partitura de memórias, onde a criatividade, a música, as gargalhadas e o companheirismo nunca deixaram de marcar o compasso.

Ao longo de várias edições do Fazer a Festa, o Carlos assumiu a responsabilidade de técnico de som do festival, onde também se apresentou em espetáculos de música ao vivo. Entre os muitos momentos que guardamos, destaca-se o concerto inesquecível da mítica banda portuense Jig, que fez ecoar a sua música sob a lona de uma tenda de circo instalada no Jardim da Avenida das Tílias do Palácio de Cristal, nos anos 90.

Em reconhecimento de todo este percurso e por tudo o que nos deu — e continua a dar —, o Fazer a Festa dedica este novo capítulo àquele que mora e continuará a morar connosco “enquanto houver estrada para andar”, sob o brilho de uma Clave de Sol.


2 de Julho - 18h00

Galeria da Quinta da Caverneira

Abertura da Instalação "CALM! O Teatro, a Música e Mim"

a partir da sonoplastia de Carlos Adolfo

30m I Entrada Livre

A instalação é composta por fotografias e artefactos de cena, e um agradável e aprazível posto de escuta, onde calmamente o visitante , caso o deseje, poderá degustar singelos ambientes sonoros de criações teatrais.

Este espaço será ainda palco de dois show cases e uma oficina de sonoplastia para público geral e familiar.

Ficará disponível a visitas até o final do ano.


Curadoria Carlos Adolfo Montagem José Lopes e André Rabaça

2 de Julho - 19h00

Auditório da Quinta da Caverneira

Um Conto Japonês

Teatro das Beiras (Covilhã)

Espectáculo com Interpretação em Língua Gestual Portuguesa

M/6 I 40m I Ver Preçário

Um Conto Japonês é um espetáculo para todas as infâncias inspirado no conto “A Árvore”, de Sophia de Mello Breyner, que por sua vez foi inspirado num velho conto japonês. Uma matrioska de contos que passa assim pelas nossas mãos para chegar aos vossos sentidos.

“Um Conto Japonês” conta a história de uma árvore sagrada para os habitantes de uma pequena ilha no Japão e da relação do seu povo com a natureza, com a tradição e com o legado dos antepassados. Fala também sobre a impermanência da vida e de como tudo se transforma em tudo, para que aquilo que agora desaparece possa alimentar o que ainda está por nascer.


A partir do conto "A Árvore" de Sophia de Mello Breyner Andresen Encenação Fernando Mota Direção Cénica Tiago Sami  Pereira Interpretação Benedita Mendes e Miguel Brás Música e Espaço Sonoro Fernando Mota e Tiago Sami Pereira Construção de Instrumento Musical Fernando Mota Espaço Cénico e Figurinos Hugo F. Matos Desenho de luz William Alves Assistência de cenografia Sérgio Reis Confeção de figurinos Regina Franco Apoio à montagem João Nuno Henriques Conceção de cartaz e materiais gráficos Rafaela Schimitt Produção e comunicação Celina Gonçalves Assistência de produção e comunicação Ellen Rodrigues e Patrícia Morais Vídeo promocional Ovelha Eléctrica Fotografias de cena Ovelha Eléctrica e Rafaela Schimitt Direção artística do Teatro das Beiras Fernando Sena e Sónia Botelho

3 de Julho - 17h00

Jardins da Quinta da Caverneira

Debate - "Os músicos vão ao teatro! (Ou não?)"

120m I Entrada Livre

Vamos falar do lugar da música na criação teatral e da notória invisibilidade de quem faz música para o teatro. Pretendemos, por isso, ir ainda mais além, no sentido de encontrar uma banda sonora para o próprio debate à medida que ele acontece e romper as formalidades convencionadas para o efeito. O objectivo é transitar pelo equilíbrio entre a discussão e a performance artística, sem perder o fio à capacidade de análise e escuta de diferentes perspectivas acerca do tema, num círculo composto por criadores cénicos, público em geral e músicos de sensibilidades variadas e experiências distintas.

É preciso gostar de teatro para se fazer música para o teatro? Os músicos vão ao teatro? Qual a importância da música na coesão dramatúrgica que enforma a criação teatral? Pode um debate ser acompanhado de sonoplastia?

3 de Julho - 21h30

Auditório da Quinta da Caverneira

A Illa da Deslembranza

Ártika Cia (Galiza)

M/6 I 50m I Ver Preçário

Quem é o responsável por apagar das nossas mentes todas as histórias que vivemos e das quais já não nos lembramos muito bem? As memórias da avó de Uxia vêm e vão como as ondas do mar. Será que Uxia conseguirá descobrir o que está a acontecer e derrotar os Piratas das Memórias? Venham viver com Uxia uma aventura de memórias e piratas!


Direcção Manu Mansilla e Ártika Cía Elenco Marcos Alonso, Fernanda Barrio e Rocío Salgado Produção e Produção Musical Anxo Fernández Diseño Cenografia Gustavo Brito Desenho de Luz Javier Quintana Ideia original Ártika Cía

4 e 5 de Julho - 10h00 - 13h00

Biblioteca da Quinta da Caverneira

Palavras pr'ó Palco (Oficina de Dramaturgia)

Dirigido a crianças dos 8 aos 12 anos

Inscrição Prévia

“Dramaturgia” pode parecer uma palavra complicada, mas não é nada que uma criança não consiga compreender. Pode ser vista como um olhar sobre um espectáculo de teatro pelo lado do avesso, o lado que não se vê mas onde tudo é construído. O lado de dentro – onde estão escondidas as mil histórias de uma peça, as escolhas dos cenários e das músicas e de tudo, o pensamento e os olhares, as palavras das personagens e as palavras não ditas. O texto para começar! O texto, esse objecto pertinho da fonte de onde uma peça pode nascer. Nesta oficina, vamos experimentar escrever em conjunto para teatro – dramaturgos por dois dias! Com base numa história mais ou menos conhecida, vamos pensar na forma que ela precisa de tomar para chegar às mãos dos actores para que eles sigam o caminho até a um espectáculo a apresentar ao público. Mas o que nos vai mesmo fazer conversar muito é descobrir o que queremos dizer com aquela história. No fundo, descobrir o que temos a dizer ao mundo e transformar isso num guião dramático.


Formadora: Andreia Macedo

4 de Julho - 16h00

Auditório da Quinta da Caverneira

O Velho Eremita

Krisálida -Associação Cultural do Alto Minho (Caminha)

M/3 I 40m / Ver Preçário

Há quem diga que, algures entre montanhas esquecidas pelo tempo, vive um velho Eremita dotado de poderes misteriosos. Conhecido pela sua solidão e mau génio, um dia perde a paciência quando uma chuva intensa se transforma numa tempestade. Enfurecido, desencadeia uma sequência de acontecimentos que fazem com que deixe de chover, alterando a vida de todos!

“O Velho Eremita ” é uma adaptação do conto “O Eremita Unicórnio e os Dragões da Chuva ” de Estefânia Surreira, que combina fantasia com lições ambientais, levando as crianças a refletirem sobre a preservação do meio ambiente e o valor da água. Uma história emocionante sobre responsabilidade, arrependimento e a procura por um mundo mais sustentável.


Direção Artística e Encenação Carla Magalhães Dramaturgia Carla Magalhães Interpretação Bernardo Sarmento e Joana de Viana Criação Musical Filipe Miranda Desenho de Luz  Rui Gonçalves Pixel Mapping Élio Moreira Marionetas e Cenografia Miguel Tepes Design Gráfico Helena Soares e Sara Costa Operação Luz e Som Rui Gonçalves e Tiago Passos

4 de Julho - 17h00

Exterior do Fórum da Maia

N´aldeia 

Vítor Fernandes (Trás-os-Montes) 

M/6 I 60m I Entrada livre

Inspirada nos contos mágicos da avó Beatriz, N'aldeia leva-nos a uma pequena aldeia de Trás-os-Montes, onde o impossível se mistura com o quotidiano. Entre risos, sustos e aventuras inesperadas, criaturas do imaginário popular surgem em cada recanto, enquanto as gentes da aldeia enfrentam travessuras, mistérios e segredos guardados há séculos. Uma sessão cheia de encanto, humor e suspense, onde cada história nos faz sentir ao mesmo tempo curiosos, divertidos e... ligeiramente arrepiados. N'aldeia é uma viagem inesquecível ao coração da tradição oral transmontana.


Seleção e adaptação de contos tradicionais portugueses Vítor Fernandes Narração, canto e toque de Adufe Vítor Fernandes 

4 de Julho - 17h00

Biblioteca da Quinta da Caverneira

Apresentação do livro "A Princesa dos Pés Pretos", obra completa de teatro para a Infância de José Vaz e uma homenagem ao autor.

30m I Entrada Livre

O pretexto escolhido para estarmos com o José Vaz nesta 45ª edição do Fazer a Festa e assim prestar-lhe uma singela homenagem, tem a ver com a ver com a publicação em finais do ano passado do seu mais recente livro, publicado pela editora portuense Trinta por uma Linha "A Princesa dos Pés Pretos" a Obra completa de teatro para a Infância de José Vaz. Este livro que recolhe as onze peças que até agora escreveu e que foram quase todas a palco desde o principio dos anos de 1980, lidas e vistas por muitas centenas de crianças em ambiente escolar, sendo elas próprias as personagem e "encenadas" pelos seus professores ou em verdadeiros palcos de teatro levadas a cena por companhias profissionais de teatro ou de amadores. Este livro começa com uma epigrafe do autor "O teatro para crianças é um espaço mágico cercado de vida por todos os lados" e de uma pequena citação de Manuel António Pina "O teatro de José Vaz dirige-se sem subterfúgio ao público infantil (...) este opta simplesmente por existir, por ser teatro, (...) por ser prática teatral". Nomeiam-se as peças por ordem de entrada no livro, porque os próprios título são um atractivo maior para a sua leitura bem como os nomes das personagens (sobriamente ilustrados com cores suaves e delicadas por Patrícia Costa Alves, dita Bolota) um verdadeiro chamamento ao jogo do faz de conta, à alegria e brincadeira. "A Princesa dos Pés Pretos", "A Carochinha Vaidosa e o João Glutão", As Aventuras de Lin-pó-pó", Na Feira dos Malandrecos", "Onde está o rei que acaba de nascer?", "Tizé, Tizé e o Rato na mánica", "As Pulgas e a Preguiça", "O Rei Lambão", "O Mandarim Fi-Xu", " O Circo das Mil Maravilhas" e termina com " O Natal da Bruxa Bernardina". Segue-se um pequeno registo fotográfico de cartazes e fotografias de cena. O humor, a poesia, a fantasia, a imaginação, o gosto pelas palavras simples e do dia a dia da infância e juventude, um mundo onde todas os animais, plantas e coisas falam como nós e a procura de justiça, unem-se para criar espectáculos vivos e participativos. Mais do que simples histórias, estas peças são convites para o riso, o espanto e reflexão, celebrando o teatro como património humano e universal. Cada história de uma peça multiplica-se em novas histórias como matrioskas, criando-se situações ao mesmo tempo absurdas, hilariantes e misteriosas.

Venham pois conhecer também as outras facetes de um homem e escritor que nasceu a 11 de Fevereiro de 1940. em Avintes, um antigo povoado nas Terras de Gaia,  junto ao rio Douro, ainda uma vila recente (1988) e nela viveu toda a infância e juventude, tendo começado a trabalhar aos 11 anos em vários ofícios e foi fundador nos primórdios dos anos de 1980 de um grupo de teatro na fábrica onde trabalhava (a da cerveja Sagres, bem conhecida dos nortenhos, passe a publicidade) e começou desde esse tempo a escrever "furiosamente" para a infância e juventude contos, histórias e peças de teatro e também de outros temas para adultos, principalmente de História , pois homem já (bem) feito cumpriu o sonho de se tornar Licenciado e Mestre em História Contemporânea, pela Universidade de Letras do Porto. Tem quase 50 livros publicados, entre eles dois que queria citar. "Os emprestadores da Alma" - Os homens as mulheres de Avintes (1945-1995), um título que qualquer actor ou actriz não desdenharia de ter escrito. O outro "Avintes, a pequena Suíça ao pé da porta", uma homenagem à terra que o viu nascer e crescer, que desde o século dezanove (1895) construiu o Teatro Almeida e Sousa, e tem três associações culturais e recreativas centenárias, o Clube Recreativo de Avintes (1889) , o Mérito Dramático Avintense (1910) e Os Plebeus Avintenses (1918), "potentados" do teatro de amadores em Portugal. Todos estes grupos continuam hoje em boa actividade e o Teatro Almeida e Sousa, inactivo durante alguns anos, está finalmente desde 2025 em obras de remodelação e abrirá (espera-se) brevemente.

Saberão mais deste autor, da sua vida e sua obra nesta sessão. Serão bem vindos!

 

José Leitão

4 de Julho - 18h30

Jardins da Quinta da Caverneira

Músicas Para Dar a Volta ao Mundo da Dona Arménia

Ana Madureira & Vahan Kerovpyan (Portugal - França)

M/3 I 50m I Entrada Livre

Se as raízes dizem de onde vimos, os ramos dizem para onde vamos.

Com a Dona Arménia viajamos para um desconhecido e enfrentamos pequenos e grandes medos, desde a aranha na teia do tecto, até ao vizinho e o seu dialecto. A pé ou de bicicleta, chegaremos a uma meta: dar a volta ao nosso próprio mundo. Se ficarmos em segundo, não interessa. Não há volta a dar. Mais vale ir sem pressa e chegar a um lugar onde algo começa.

Um concerto cantado e tocado tu cá tu lá, para aproximar o lá do cá e o cá do lá.


Direcção, música e textos Ana Madureira e Vahan Kerovpyan Interpretação Ana Madureira (voz, percussão), José Carlos Barbosa (baixo eléctrico, voz), Paulo das Cavernas (guitarra, ngoni, percussão, voz), Rui Bandeira (trompete, trombone, voz), Vahan Kerovpyan (voz, percussão, teclado, ukulele, dhol) Som Miguel Moreira Gestão Rita Maia - menosmuitomais crl Produção Dona Arménia Coprodução Fundação Serralves 

4 de Julho - 22h00

Jardins da Quinta da Caverneira

Catita

teatromosca (Agualva-Cacém)

M/12 I 60m I Entrada Livre

Catita é um espetáculo que tem como ponto de partida a troca epistolar entre dois amigos de infância, Pedro e Catita. Enquanto um permaneceu no lugar onde nasceu e cresceu, o outro preferiu viajar até se estabelecer como guia de canyoning na Serra de Guara, em Espanha. Tudo começa com a troca de uma cassete de música, no início dos anos 1990, e, mais tarde, essa amizade será alimentada pela troca de cartas. Mas serão as montanhas a enquadrar, em momentos distintos, o reencontro dos dois, entre escaladas e conversas sobre a adolescência num bairro do concelho de Sintra e sobre as diferentes vi(d)as que cada um têm vindo a encadear. Por vezes, é o Pedro que vai à frente e sobe a montanha, enquanto o Catita fica a dar segurança. Noutras vezes, invertem-se os papéis, ou o Pedro deseja ser o Catita, desejam trocar de vidas um com o outro, como se pudessem trocar de pele, como se pudessem escolher outra vez, ou então, só pela leveza desse simples exercício de imaginação, num espetáculo que se quer íntimo e pessoal sobre a amizade, sobre o crescimento e o envelhecimento, sobre ideias e imagens de masculinidade, sobre a memória, sobre subir muito alto, mas também sobre o medo de cair.

 

Criação Pedro Alves, Miguel Catita e Maria Gil Tradução Catarina André e Margarida Madeira  Encenação e interpretação Pedro Alves Apoio ao movimento Bruno Alexandre e Rafael Barreto  Ilustração Alex Gozblau  Desenho de luz e operação técnica Diogo Graça Cenografia Pedro Silva  Direção de produção Inês Oliveira Produção executiva e fotografia Catarina Lobo Trabalho de serralharia Joaquim Guerreiro Apoio à produção Milene Fialho, Ana Margarida Lima, Joana Lopes, Joana Mendes, Artur Palma, Matilde Pereira, Ana Pires, Daniela Silva e Cristiano Sousa  Agradecimentos Marco Lopes e Mário Trigo  

5 de Julho - 11h00 e 12h00

Auditório da Quinta da Caverneira

Partida, Lagarta, Fugida!

Projecto Ruínas Associação (Montemor-o-novo)

Todos os públicos I 35m I Lotação máxima: 25 pessoas I Ver Preçário

Partida, Lagarta, Fugida! pretende ser uma viagem sensorial, onde redescobrimos o mundo como se fosse a primeira vez. Uma abordagem divertida, que desperta os sentidos e a imaginação, e que reflete sobre as sensações e/ou emoções que vivenciamos nas nossas primeiras vezes (mesmo as que não temos memória, mas que deixam ecos em nós), desde a primeira inspiração.

O espectador é convidado a mergulhar num universo de fantasia onde cada um constrói a sua narrativa e recupera o seu imaginário interior – o individual se torna coletivo, sem limites de idades ou convenções. Vale tudo, desde que embarquemos juntos.


Criação Coletiva Conceção e encenação Catarina Caetano Interpretação Catarina Caetano e Neto Portela Espaço Cénico Inês Abrunhosa e Bruno Simão Ambiente Sonoro  João Svayam e Nuno Borda de Água Desenho de Luz  Nuno Borda de Água Grafismo Susana Marques Registo e Edição Rodolfo Pimenta Comunicação  Carlota Lloret Produção Projecto Ruínas

5 de Julho - 15h00

Biblioteca da Quinta da Caverneira

Leitura do texto criado na Oficina de Dramaturgia 

30m I Entrada Livre

5 de Julho - 16h00

Jardins da Quinta da Caverneira

Clássico de bolhas de sabão 

Mult Tiki Taki — Teatro da Ucrânia (Ucrânia) 

M/6 I 40m I Entrada Livre

Um espetáculo interativo e mágico onde o público entra num mundo de bolhas de sabão de diferentes formas e tamanhos — desde pequenas bolhas cintilantes até bolhas gigantes nas quais é possível "entrar". O show combina teatro, circo e magia, criando uma atmosfera de encantamento e alegria. Crianças e adultos participam ativamente dos truques e vivem uma experiência de fantasia ao vivo, cheia de surpresa e emoção. 


Criação, direção e interpretação Anastasiia Krasnobaieva e Anton Krasnobaiev Conceito, Direcção Artística e Produção Mult Tiki Taki

5 de Julho - 17h00

Jardins da Quinta da Caverneira

N´aldeia 

Vítor Fernandes (Trás-os-Montes) 

M/6 I 60m I Entrada Livre

Inspirada nos contos mágicos da avó Beatriz, N'aldeia leva-nos a uma pequena aldeia de Trás-os-Montes, onde o impossível se mistura com o quotidiano. Entre risos, sustos e aventuras inesperadas, criaturas do imaginário popular surgem em cada recanto, enquanto as gentes da aldeia enfrentam travessuras, mistérios e segredos guardados há séculos. Uma sessão cheia de encanto, humor e suspense, onde cada história nos faz sentir ao mesmo tempo curiosos, divertidos e... ligeiramente arrepiados. N'aldeia é uma viagem inesquecível ao coração da tradição oral transmontana.


Seleção e adaptação de contos tradicionais portugueses Vítor Fernandes Narração, canto e toque de Adufe Vítor Fernandes

5 de Julho - 18h00

Jardins da Quinta da Caverneira

Espectáculo Científico

Mult Tiki Taki — Teatro da Ucrânia (Ucrânia) 

M/6 I 40m I Entrada Livre

Um espetáculo interativo de ciência e entretenimento onde fenómenos de física e química são transformados em experiências visuais impressionantes. O público assiste a reações surpreendentes, efeitos de luz, fumo e experiências seguras com azoto líquido. Cada experimento é explicado de forma simples e acessível, envolvendo crianças e adultos num verdadeiro espetáculo educativo e divertido, onde a ciência se torna uma aventura emocionante.


Criação, direção e interpretação Anastasiia Krasnobaieva e Anton Krasnobaiev Conceito, Direcção Artística e Produção Mult Tiki Taki

5 de Julho - 19h00

Biblioteca da Quinta da Caverneira

Reflexão Crítica

60m I Entrada Livre

O Fazer a Festa assume-se como um espaço privilegiado de reflexão e de produção crítica (em tempos em que a crítica teatral é tão evanescente).

Assim, no último dia temos um pequeno fórum/conversa crítica entre criadores, companhias, espectadores e público em geral. Juntos, num diálogo aberto, e sob a batuta de dois críticos que acompanham a programação falaremos sobre os espectáculos e a sua apreciação.

5 de Julho - 21h30

Jardins da Quinta da Caverneira

Galdino Gal (Concerto)

120m I Entrada Livre

Cantor, guitarrista e actor brasileiro radicado em Portugal há mais de vinte anos. Trabalhou no Casino da Póvoa de 2002 a 2004 com um projecto de Bossa Nova e partilhou o palco com diversos artistas, entre eles Bob McFerrin, Diana Ross, Shakakan, Julio Iglesias, Roberto Carlos, Luís Represas, Caetano Veloso, Simone, Elba Ramalho, João Bosco, Alceu Valença. Um verdadeiro showman que promete fazer e encerrar a festa em duas horas vibrantes.

Informações

Bilheteira


5,00€ Normal

3,00€ Estudantes, Crianças menos de 6 anos, M/65, Profissionais das Artes Cénicas, Desempregados e sócios do Sindicato dos Bancários do Norte.

Horário: 30 minutos antes do início de cada espetáculo


Contactos


222 084 014 | 917 691 753 | 910 818 719

Teatro Art'Imagem
teatroartimagem@teatroartimagem.org

www.teatroartimagem.org
facebook.com/teatroartimagem
 

Quinta da Caverneira
Avenida Pastor Joaquim Eduardo Machado
Águas Santas · Maia

Ficha Técnica

Direcção Artística e Programação

Flávio Hamilton, Micaela Barbosa e Pedro Carvalho


Direcção Técnica

Pedro Carvalho


Moderação do Debate e Reflexão Crítica

Flávio Hamilton e Micaela Barbosa


Produção

Daniela Pêgo e Mariana Macedo


Técnico de Som e Luz

André Rabaça e André Carneiro


Técnico Maquinista

José Lopes


Apoio Técnico

João Real


Vídeo

Luís Lima Productions


Fotografia

Nuno Ribeiro 


Cartaz e Design Gráfico

Tiago Dias


Director Artistico do Teatro Art’Imagem

José Leitão